Mostrando postagens com marcador Poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poema. Mostrar todas as postagens

Passos [será que a felicidade está depois daquela curva???


Eram ruas sinuosas por onde passavam.
As curvas eram constantes, muitos obstáculos à frente.
Sempre havia um perigo escondido em cada parada.
Ainda assim, seguia-se adiante.

A multidão se reunia num posto de paragem.
Confabulavam trocando ideias de como transpor cada barreira.
Mesmo assim, para as armadilhas mais abstrusas, não havia conselhos:
                      só se aprende a passar por elas, passando.

Alguns iluminados surgiam de vez em quando para auxiliar,
                               mas nossa miopia nos impede ver o que se passa.
Tem horas que nos perdemos em velhas lembranças e medos
                                        que se retroalimentam de nossa capacidade faraônica 
                                                     de sentir rancor.

Mas, a rua continuava ali, com sua sinuosidade e seus obstáculos.
Não perguntava quem estava preparado ou tinha receio.
As chances de se perder em algum sentimento inútil eram gigantes.
Ainda assim, seguia-se adiante.

Depois de dias sem sair do lugar,
uma multidão munida de velas, lenços e rosas
                 cruzou em procissão rumo a fronteira mais próxima.
O desejo de ir junto era quase sobrenatural.
Mas, sabia que não era esse meu caminho.

Por mais fácil que fosse seguir a multidão
meus pés precisavam seguir rumo ao oeste com seus encantos e perigos.
Talvez o desconhecido seja um velho amigo à espera de um abraço.

Continuei, de início, solitário.
Porém, percebi que muitos estavam comigo.
Não em matéria, mas em pensamentos, sentimentos e luz.
Que iluminavam as curvas sinuosas e os obstáculos impossíveis.

Certa feita, pensei em desistir:
as solas dos pés estavam doloridas e o conforto do lar uma lembrança segura.
Pensei em tudo que vi até ali e silenciando a voz da praticidade,
                                                                                                      segui adiante.

Não sei ao certo aonde estou indo.
Essas ruas sinuosas podem ser perigosas, mas também
podem ser belas.

Quem sabe o que há no fim do arco íris?
Talvez a segurança de seus cafés, suas roupas e músicas
                     tragam-lhes felicidade. 
                                                          Não lhes culpo.

É fácil seguir o caminho mais batido.
Mas, às vezes, o Nosso Caminho
é aquele não percorrido. Que ninguém ousou trilhar.
Mesmo com as curvas sinuosas e seus perigos.

Talvez a felicidade esteja logo ali. 
E se o medo roçar em suas costas,
                                                      lhe sorria de volta.

Talvez seu verdadeiro rumo, esteja após essa grande curva.

[POEMA] Stairway To Heaven



Várias coisas a serem vistas 
         nada podia passar despercebido. 
Mas passaram. 


Ela desejava muitas coisas. 
E as tantas coisas que possuía, 
          não bastavam.

Do sinal da aliança, 
          sobrara apenas os estigmas 
                  que nunca mais dispersaram. 

O vulto das sombras 
           albergava insólitos erros nada veniais, 
                   que eram vistos ao contrário. 

Desde os dias no jardim, 
            as coisas eram assim: 
                    falácias que geraram muitos adagiários. 

O brilho da alma 
             jazia oculto na esfera egoísta. 
Esquecendo-se do que era necessário. 

Depois de passar por florestas espinhentas 
             e sentir o frio de órfãos infantes, 
                        o pretérito já não era assim, tão ruim 

Imagens de uma vida esquecida 
             formaram-se num caleidoscópio mágico. 
A saudade aflorou em tons carmesins. 

Recordações de um passado rejeitado 
              perturbou mais ainda um coração em frangalhos. 
Seria esse o seu fim? 

Depois de constatar 
              que jogou fora as coisas que precisava 
                          sua alma se encheu de dor. 

Não tinha direito algum, mas iria atrás 
              daquilo que degradou 
                           em prol de ilusões e dessabor. 

Será que depois de tudo 
              ainda havia espaço pra perto 
                             de onde realmente recebia amor? 

Refez o caminho com a força 
              daquilo que agora eram seus tesouros: 
                             borboletas, flores, abraços lágrimas e sorrisos. 

Cada passo recordava uma vida abandonada 
               que agora queria/teria novamente, 
                             com cicatrizes que seriam sempre um aviso. 

De que Ela rodou o mundo através de sóis e galáxias 
               mas, às vezes, é naquelas pequenas estrelas 
                           que se encontram as escadas que levam ao paraíso.