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NÓS...


Moço, quem disse que você é isso:
Riqueza, alegria, ostentação e paz?
Sério que é só?
O que te define?
Tua casa, teus posts teu anel?
É isso que tu e´s?

Não sou, não fui. Estou sendo.
Um processo eterno de construção.

Nada do que tens te representa.
Apenas apresenta teus gostos.
Moço, tu podes mais.

Sonhe, brigue, chore...

Abrace tua fé ou a falta dela...

Moça, é essa tua fé:
Tua casa, teus amantes e tuas curtidas?
O Insta teu templo, teu deus e tua mãe?
Amores inócuos tua arma?
A roupa cara teu único manto?
Espanto, isso me causa!

Não és minha, não és dele. És de tu mesma.
Tua alma é tua dona, dê mais a ela...

Teu homem não te define!
Tua casa não te define!
Tua carne não te define!*

Ame, beije, se desespere
Não aceite menos que isso.

Moço, Moça, Eu, Nós...
O que nos define?
A réplica do que está aí,
No topo do Twitter, do snap?
Na etiqueta luxuosa?

Ver, ousar, recriar, reinventar...
Sentir a brisa do amor ao desespero
Com tempero de quem renasce a todo momento.

Somos nosso próprio lar,
Morada do sagrado
Amparado naquilo de melhor e mais forte que temos...

Nós...


*trecho extraído da música "Triste, louca ou má". 

Passos [será que a felicidade está depois daquela curva???


Eram ruas sinuosas por onde passavam.
As curvas eram constantes, muitos obstáculos à frente.
Sempre havia um perigo escondido em cada parada.
Ainda assim, seguia-se adiante.

A multidão se reunia num posto de paragem.
Confabulavam trocando ideias de como transpor cada barreira.
Mesmo assim, para as armadilhas mais abstrusas, não havia conselhos:
                      só se aprende a passar por elas, passando.

Alguns iluminados surgiam de vez em quando para auxiliar,
                               mas nossa miopia nos impede ver o que se passa.
Tem horas que nos perdemos em velhas lembranças e medos
                                        que se retroalimentam de nossa capacidade faraônica 
                                                     de sentir rancor.

Mas, a rua continuava ali, com sua sinuosidade e seus obstáculos.
Não perguntava quem estava preparado ou tinha receio.
As chances de se perder em algum sentimento inútil eram gigantes.
Ainda assim, seguia-se adiante.

Depois de dias sem sair do lugar,
uma multidão munida de velas, lenços e rosas
                 cruzou em procissão rumo a fronteira mais próxima.
O desejo de ir junto era quase sobrenatural.
Mas, sabia que não era esse meu caminho.

Por mais fácil que fosse seguir a multidão
meus pés precisavam seguir rumo ao oeste com seus encantos e perigos.
Talvez o desconhecido seja um velho amigo à espera de um abraço.

Continuei, de início, solitário.
Porém, percebi que muitos estavam comigo.
Não em matéria, mas em pensamentos, sentimentos e luz.
Que iluminavam as curvas sinuosas e os obstáculos impossíveis.

Certa feita, pensei em desistir:
as solas dos pés estavam doloridas e o conforto do lar uma lembrança segura.
Pensei em tudo que vi até ali e silenciando a voz da praticidade,
                                                                                                      segui adiante.

Não sei ao certo aonde estou indo.
Essas ruas sinuosas podem ser perigosas, mas também
podem ser belas.

Quem sabe o que há no fim do arco íris?
Talvez a segurança de seus cafés, suas roupas e músicas
                     tragam-lhes felicidade. 
                                                          Não lhes culpo.

É fácil seguir o caminho mais batido.
Mas, às vezes, o Nosso Caminho
é aquele não percorrido. Que ninguém ousou trilhar.
Mesmo com as curvas sinuosas e seus perigos.

Talvez a felicidade esteja logo ali. 
E se o medo roçar em suas costas,
                                                      lhe sorria de volta.

Talvez seu verdadeiro rumo, esteja após essa grande curva.