[RESENHA] O Pistoleiro (A Torre Negra #1), de Stephen King



O RECOMEÇO

O Pistoleiro – livro um da série A Torre Negra começa com a seguinte frase: 


“O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”

Nesta frase está condensada toda a trama do primeiro volume.

O livro se passa num mundo pós-apocalíptico distinto do nosso. Como diz Roland, “o mundo seguiu adiante”. Nesta primeira obra temos poucas explicações. E as poucas que são dadas levam a mais questionamentos.

Em “O Pistoleiro”, ficamos sabendo que Roland de Gilead é um pistoleiro, o último de seu clã. Um grupo de indivíduos que vivem num código de honra no maior estilo de “Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, só que ao invés de espadas, machados e armas medievais, eles portam dois revólveres enormes com cabo de sândalo. King teve como inspiração para o personagem, Clint Stewood e seus personagens de faroeste. Sendo assim, é fácil imaginar um homem sério, determinado e focado em sua busca.

Alguma coisa aconteceu com o planeta de Roland e o mundo seguiu adiante ficando em ruínas. Roland não sabe o que se passou mas sabe que uma “tal” de Torre Negra é o centro de tudo isso e este Homem de Preto – um personagem muito sinistro, uma espécie de mago – que ele persegue,  pode ter informações referentes ao que aconteceu com o mundo. Mais importante ainda, o Homem de Preto pode ter informações acerca da tal Torre Negra que Roland tanto persegue.

Assim temos a busca do pistoleiro pelo Mago passando por cidades em ruínas, desertos e mais desertos. Nessa trajetória temos alguns vislumbres do passado de Roland, mas que são dados de forma solta, pouco coesas e King não faz questão nenhuma de explicar. Sabemos pouca coisa dos costumes e mitologia do Mundo Médio (alguém lembrou de Tolkien?).

A escrita, como outras de King, é lenta. A narrativa surfa por vários gêneros: terror, suspense, fantasia... Há alguns elementos bem interessantes como os Oráculos que tem particularidades bem interessantes. A atmosfera de magia permeia todo o livro deixando sempre uma expectativa de que algo grandioso ocorra. 

Com relação aos personagens, além dos dois já citados, um outro merece todo o destaque: Jake. Apesar de o livro focar-se em Roland, é Jake, um garoto que morreu no nosso mundo e apareceu no Mundo Médio, o responsável pela maior conexão do público com a história. Jake consegue transbordar aquele carisma infantil visto em outras obras do autor, que evocam um sentimento de nostalgiaque é impossível não se apegar a ele. King já fez isso em seu conto "Conta Comigo", que virou um ótimo filme nas mão do diretor Rob Reiner, e mais recentemente no ótimo livro "Joyland"


E é a história de Jake que trás um dos conceitos mais fascinantes da narrativa: pessoas que morem em um mundo, podem renascer em outros. King já havia discorrido sobre mundo paralelos ao nosso (como a física quântica postula em sua Teoria das Cordas) em outras de suas obras como “O Talismã” e “Rose Madder” por exemplo. Mas aqui, a mitologia é expandida.



Roland encontra Jake em um posto de paragem. O garoto não sabe como foi parar ali. Logo, ambos acabam criando uma interação forte, porém, a busca obsessiva do pistoleiro pela Torre fará com que ele tenha de escolher entre o garoto e a Torre. Neste ponto, temos uma das frases mais impactantes e forte de toda a saga, proferida por Jake:

“Vá então. Há outros mundos além deste”

Este primeiro volume da séria começou a ser escrito em 1977 e o último em 2012. Uma das bases para King escreve-lo, foi a Saga do Anel de Tolkien e isso fica evidente quando lembramos de Frodo e Sam indo até Mordor para destruir o Um Anel. Há uma atmosfera de desolação e desesperança a exemplo da jornada dos Hobbits. Nos próximos livros da saga há uma diferença bem acentuada nesta questão, na forma como o livro é escreito o que leva a muitos leitores que amaram este primeiro volume odiar os outros e vice-versa.

Um dos pontos fracos do livro é a ausência de respostas. Quando Roland, já no final do livro, por fim alcança o Homem de Preto, temos apenas uma confabulação entre ambos que apesar de ser relativamente explicativa, deixa muita coisa sem informação, principalmente no que concerne o porquê deste empenho do pistoleiro em alcançar a Torre. E para uma saga de sete livros mais um, é algo arriscado pois pode criar uma relutância no leitor em acompanhar uma obra que mais levanta dúvidas do que responde.

Independente disso, O Pistoleiro consegue prender a atenção do leitor e deixa uma expectativa muito grande para o segundo volume, “A Escolha dos Três”. A questão é: será que as tantas respostas pairando no ar serão respondidas? Será que Roland conseguirá chegar a Torre Negra ou ao menos saber sua direção? Porque esta obsessão de Roland com a Torre?  Isto são cenas para o próximo capitulo.

(Longos dias e belas noites).

Boa leitura!

Livro: O Pistoleiro (A Torre Negra #1) 
Páginas: 184
Autor: Stephen Kung
Editora: Suma de Letras
Comprar: Amazon
Nota: 

2 COMENTÁRIOS

De quase 30 livros que li do King até agora, O Pistoleiro é o que achei "menos bom". Tentarei ler a continuação dá série, pois muitos dizem que há uma melhora considerável

E aí Murilei, beleza?
Então cara, como eu escrevi na resenha, muitos que não gostam do primeiro livro, porque foge um pouco do estilo narrativo de King, acabam por gostar dos outros livros. Leia os outros livros, quem sabe você tu não se enquadra nisso.
Abraços.


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